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Sonia Porto Machado


 

 

 

 

111- Correndo pela estrada em meio ao barulho dos carros.

            Passava por todos ignorando os limites.

            Desabava sob o peso da última noticia.

            Corria na tentativa de esquecer e de fugir.

            Quando chegou ao lugar dos sem-destino entendeu que não  havia esquecido uma vírgula sequer.

            Ficou mais confusa porque não conhecia outro caminho e nem como voltar.

            Entrou no carro novamente e dirigiu a esmo, sem rumo e sem volta.

            Quando chegou ao alto da ponte, no exato instante do ritual mais sagrado para ela, ouviu ruídos, gritos e sons da noite. E ao longe ouvia sirenes e vozes.

            Ali ficou a espera.

 



Escrito por Sonia às 20h49
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110- Derrubou a mesa, no meio da sala azul.

            Sibilaram momentos em meio aos móveis partidos.

            Caíram projetos e sonhos junto aos tapetes quase-persas.

            Quadros caíram junto as lembranças das viagens nunca realizadas.

            Dia nublado com gosto de inverno e cheiro de mofo.

            Jóias perdidas junto a porta fechada.

            Panelas gastas em toalhas seculares.

            Palavras ditas junto a cadeira de balanço em que um dia embalou seu filho.

            Almofadas gastas enfeitam o sofá novo que não chegou a ser usado.

            Filmes empilhados contando  a história dos outros.

            Lixos se acumulam como quem não tem o que guardar.

            Orgânico, seco, úmido ou qualquer outro lixo que continuam ali.

            Assim como velhos livros que só servem para acumular pó.

            Atmosfera pesada e inerte.

            Vidas confusas de quem acha que o tempo é um elástico.

            Cansei

 



Escrito por Sonia às 20h48
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109- Júbilo de todos.

            Enfrenta canhões e sobram balas de mel por toda a parte.

            Quando a noite chega, esconde-se. Vira e desvira-se na cama.

            Saltam palavras que dedilha nas Remington 25 marrom.

             O dia chega e encontra-o entre papéis e idéias.

            Brinda com champagne a cada noite perdida.

            Dança sem música e sem par. Enrosca-se em pernas alheias e busca em outros corpos aquilo que deixou partir.

            Vive melhor quando maldiz o destino do que quando precisa olhar-se no espelho.

            Desculpa-se no silêncio e nas injustas decisões.

            Perde-se ao abandonar o navio como se estivesse no controle do oceano.

            Zeus une-se a Poseidon e juntos lançam uma língua de alerta total.

            Envolto na miopia pensa ter visto Zeus.

            Com o olhar de Medusa petrifica-se enfeitiçado para sempre

 



Escrito por Sonia às 20h47
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108 – Homem da capa vermelha e de gelo no coração.

            Se esconde entre frases malditas e palavras de amor.

            Serve a deuses imaginários que nunca estão bem.

            Percorre os bares noturnos em busca de solidão.

            Vence dias e meses e nunca se encontra.

            Homem da capa vermelha e de gelo no coração.

            Conta histórias de doenças e alimenta-se de sangue.

            Busca soluções mágicas e fala da vida no além.

            Deixa de viver sua vida para viver depois que morrer.

            Antecipa-se com crenças míticas.

            Gasta noites em busca da fórmula do ouro enquanto vive sem metal.

            Glamouriza o que não tem glamour e esquece-se do que real.

            Entre ácaros e papiros imagina-se Aton.

            A tragédia encerra-se em sua cena matinal.

            Desfaz-se, aos poucos, daquilo que ri.

            Chora por faraós e rainhas enquanto a poeira do deserto toma conta de seus dias.

            Eterniza-se em idéias em troca do abandono.

            Nefertiti envergonha-se do que vê e quebra a máscara de porcelana.

            Homem da capa vermelha não entende nada e vai embora.

 



Escrito por Sonia às 20h46
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107 – Noites sem dormir.

            Tempestades alucinantes

            Sons silenciosos no vazio da noite

            Mensagens cifradas e quebradas.

            Sigilo doentio.

            Portas fechadas e janelas abertas.

            Lealdade rompida no meio do pátio.

            Poço profundo com balde pendurado.

            Gaitas que tocam e não são ouvidas por ninguém.

            Foguetes ao longe e rumores a espreita.

            Cães que latem.

            São ônibus e caminhões que sobem e descem. Carros que passam correndo.

            Ventos que balançam o toldo.

            Continua o silêncio.

            Continua a noite.

 



Escrito por Sonia às 20h45
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106 –

            Brinco de pérola

            Revirado de cera

            Pedaço de papel jogado ao vento

            Barquinho de papel na água da chuva

            Cadela negra latindo no pátio

            Sol de verão

            Vozes africanas

            Anéis de prata nos dedos

            Peixinhos no aquário

            Lenta revelação

            Inesperada decisão.

 



Escrito por Sonia às 20h44
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           105)   Cabeça infinita.

            Dinossauro rasante coberto de tempo.

            Camadas de terras pairam no ar.

            Pincéis de Marta reviram delicadas camadas.

            Descobertas assombrosas revelam quase tudo.

            Grãos de areia de um deserto amarelo trazem dunas de preocupações.

            Noites quentes quebram o bloco de mármore e surge gente escondida na pedra.

            Livres do bloco voam sem direção.

            Olhares profundos e penetrantes estavam ali.

            Músculos contorcidos revelam-se, um a um.

            Curvas acentuadas expressam e surpreendem.

            Conversas e cochichos no ar.

            Esperavam a magia da mão de Camile Claudel.

            De súbito, tudo se quebrou e Camile viveu dentro do mármore, por 30 anos.

            Sanatório francês repleto de pedra.

            O que era sensibilidade emudeceu.



Escrito por Sonia às 10h55
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                 104)  A inspiração é filha da dor.

            Quando foi embora e me vi sozinha, no meio daquele parque, tentei morrer.

            Eu te olhava de costas, caminhando por entre as árvores e flores, e não te reconhecia mais.

            Também não me reconhecia.

            E quanto mais me distanciava de tua imagem mais eu me apagava.

            Até agora não compreendi aquela cena.

            Continuo indo aquele parque na esperança de encontrar um sinal ou uma explicação. Uma folha caída no chão já poderia ser uma pista. Ou um galho quebrado...

            Mas caminhando por ali, pisando em folhas mortas e frutos secos, eu não conseguia ler os sinais.



Escrito por Sonia às 10h46
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                 103) Na sessão de autógrafos em que nos vimos, pensei em desistir.

            Ao longo da fila, vendo você se aproximar, pensei em ir embora.

            Foram 30 minutos de indecisão.

            E mais 30 onde causamos uma interrupção.

            Ainda bem que você insistiu.

            Ainda bem que não desisti.



Escrito por Sonia às 00h31
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         102) “Dependo da paz das palavras para me acalmar”, diz o poeta Fabrício Carpinejar.

            Sim, como ele, preciso da palavra.

            Letra por letra.

            É calmante, como maracugina.

            Ouvir, entender e acalmar.

            A palavra que acalma e liberta.



Escrito por Sonia às 00h27
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            101) Que nome você dá para as coisas?

            Será o mesmo nome que eu uso?

            Você chama e eu vou. Atendo todos os seus chamados.

            Eu chamo e você vai.

            As coisas que não tem nome não podem ser chamadas por nós.

            Gosto de nomes.

            E  não quero saber e nem chamar mais nada.

            Nomes e coisas sem completam quando se vêem.

            No alto daquele arco havia um nome lindo, que está apagando com o tempo.

            O nome se foi e o arco ficou.



Escrito por Sonia às 00h23
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           100) Eram dez catadores de conchas.

            Viviam de cabeça baixa, catando.

            A areia quente daquela manhã de fim de verão, queimava os pés de todos eles.

            Catavam conchas enquanto buscavam o mar.

            A onda batia na praia e formava uma leve espuma.

            Ao longe vinha uma carrocinha de picolé, anunciando o calor que ainda fazia.

            No céu, passava um velho avião, também anunciando, em uma faixa, a última festa da estação.

            Aos poucos a praia foi tomada por risos infantis.

            Em meio a ordem do novo caos, os catadores recolhiam-se. Voltariam no dia seguinte e até mesmo, nos outros dias do ano, em que desfrutariam da solidão da praia.

            O fim da estação era também o inicio da estação da tranquilidade para eles.

            Enfim, catadores de conchas seriam os únicos na praia.



Escrito por Sonia às 00h20
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           99) Era um círculo de cores. Um caleidoscópio gigante. Se avolumava como um fermento no pão.

            Crescia e crescia sem fim.

            Não tinha gosto e nem cheiro. Mas era tanta cor e tanto volume que parecia um parque de diversões.

            Como um carrossel iluminado entre gigantes e anões, semeava a nova forma.

            Faltou luz repentinamente.

            O gigante encolheu-se amedrontado.

            E o anão cresceu, na escuridão.



Escrito por Sonia às 00h16
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           98) Essa noite quando voltei para casa e me vi no meio do turbilhão decidi que havia chegado a hora de te esquecer.

            Tomei um banho e ao deitar pensei em escrever.Abri meu fiel caderno e desabafei. Preenchi linhas e linhas para deixar um pouco de mim no papel.

            Queria ficar mais leve.

            Tentei lembrar o que vivi e vi imagens turvas, cada vez mais obscuras.

            Nem o som da tua voz ou o cheiro de tua  pele vem em mim.

            Esqueci a mão passeando por mim assim como esqueci o que um dia acreditei.

            Sobraram falsos brilhantes assim como um pacote recheado de palavras soltas, sem nexo e vazias.

            Apenas palavras vazias que nada significavam.

            Esqueci um tempo.

            Aliás, nem sei do que estou tentando esquecer.

            Esqueci do que lembrava.

           



Escrito por Sonia às 00h13
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            97) Outro dia, enquanto descia a lomba, encontrei uma passagem.

            Ao decidir voltar, desisti de tudo.

            Larguei para trás o emprego de anos e a vida que levava no morro.

            Me fui.

            E a cada vez que penso naquele tempo, tenho vontade de ir mais longe.

            Não me basta mais 100 km ou mil.

            Preciso percorrer longos caminhos.

            E vou me afastando com pressa.



Escrito por Sonia às 00h09
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