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terapia
Deixa o Urso Dormir!
47) Deixa o Urso Dormir! ( pela angústia da espera de uma cirurgia)
A tua força me faz ser forte e me permite fraquejar. Por isso te quero forte!
Na tua luz meu lado sombrio se mostra e encontro-me protegida por ela.
Quando te encontro em sofrimento ou fragilizado preciso encontrar forças dentro de mim, que nem sempre tenho. Encontrar forças na minha sombra e com ela iluminar minha existência. Só depois sou capaz de compartilhar do sol.
Nesse inverno que te chegou mais cedo há que ter paciência. Muita paciência para suportar a longa espera pela nova estação. A primavera chegará. No seu tempo. Impossível adiantar o florecer do ipê amarelo. Ele vai florecer. Assim como o roxo.
Agora é tempo de hibernação. Os ursos dormem. Precisam dormir. Não tem escolhas. Precisam acumular força para a longa espera. E não adiantar cutucar. Muito menos com vara curta. A onça também vai chiar. Espera.
Tem palavra mais linda que essa? Espera?
Fica em dúvida? Então vamos refina-la: a longa espera.
O ipê vai florecer, seja o amarelo ou roxo.
O urso vai dormir.
A onça vai ficar uma fera se cutucada. Aliás, mesmo sem cutuca-la.
Então, espera...
( junho de 2007)
Escrito por Sonia às 09h08
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Encantamento
45) Encantamento
"Você passou a vida inteira dormindo. É hora de acordar." Vida e época de Michael K., J.M. Coetzer, Cia das Letras
Ele chegou aos 50 anos e abriu os olhos. Pela primeira vez.
Foi quando percebeu que passou os últimos 30 anos dormindo.
Nem viu a vida passar. Foi sendo levado. Empurrando com a barriga.
Quando acordou não se reconheceu. Não tinha mais aquela esperança de construir um novo mundo. Fazia parte da boiada. Acordava e dormia do mesmo jeito, todos os dias.
Vestia uma roupa qualquer e engolia um café qualquer. Não havia encanto e nem ninguém para encantar.
Dormira. Somente isso.
Quando acordou, num dia qualquer de um verão seboso, o mundo mudou de cor.
Olhava o céu - nunca esteve tão azul. Olhava a noite e descobria novas estrelas, que estavam ali há pelo menos 30 longos anos.
Simplesmente olhava.
Vestia-se encantado com o encanto que podia causar ou despertar. Ou, quem sabe, sentir.
Engolia seu café, como se fosse o primeiro, saboreando lentamente.
Dormira tanto que esqueceu que podia ser feliz. Voltou a sentir sede, fome, desejo...
Voltou a sentir.
Adormecido durante anos tinha pressa agora. Precisava correr, voar, ver o mundo, matar a fome e a sede.
Desejava tudo.
E foi fazendo, derrubando muros, largando cobertas e lençóis pelo chão, trocando de travesseiros, importando-se com toalhas e quadros...sugerindo novos pratos e planos...
Tudo queria. Tudo merecia. Tinha urgência. Não queria dormir mais. Nem um minuto admitia.
Passava as noites acordado, corria como um louco pelas ruas e estradas. Viajava intensamente. Não tinha mais medo. Somente sede e fome.
Tinha urgência e achava que merecia.

Escrito por Sonia às 18h50
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Lili e o silêncio
44) Lili e o silêncio do quarto escuro.
(Para Lili)
"Ano após ano, Michael K. ficou sentado em cima de um cobertor. Vendo a mãe limpar o chão dos outros, aprendendo a ficar quieto." Vida e época de Michael K. , J.M. Coetzer, Cia das Letras
Assim como Michael K. Lili aprendeu a ficar quieta. Nasceu no escuro da noite e assim permaneceu até ter idade de se cuidar sozinha.
Todas as manhãs sua mãe acordava-a. Após trocá-la e alimenta-la, Lili era levada ao quarto escuro. Ali ficava até a mãe retornar do trabalho, no fim do dia. Passou um ano, dois, três, quatro....e lá estava Lili, esperando a família retornar do trabalho.
Esperava quieta, calada, muda. Sem nenhum sinal de choro.
Aparentava um rosto sem tristeza. Mas ninguém percebia que era desprovida de alegria.
Na escuridão do seu quarto cresceu e chegou aos 6 anos. Sempre sozinha no escuro.
Se criou.
Entrou na escola. Andava muitos km até a escola. Foi passando. Calada.
Quando a conheci estava com 15 anos. Continuava no escuro. Não reconhecia cores e formas. Não sabia o que era liso ou crespo. Era pobre em idéias ou expectativas. Sua bagagem cultural resumia-se as experiências no quarto escuro.
Continuou passando.
Aos 15, 16 ou 17, ninguém imaginava que Lili teve essa vida. Sorridente e disposta a colaborar com tudo e com todos, ela seguia seu rumo.
Seu universo ainda era constituído de um quarto escuro. Parecia que havia incorporado esse padrão.
Fazia, feliz, tarefas repetitivas mil vezes se fosse necessário. Não tem medo do novo porque nem vê o novo.
Permanece no quarto escuro. 
Escrito por Sonia às 18h28
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Vi algo...
39) "Vi algo que não sei como viver" ( Clarice Lispector, A paixão segundo G.H.)
Quando acaba o amor? Quais os sinais que me dão a certeza que acabou? Como me vejo no meio dessa castrófe, que é o fim do amor? Como defino? Como decidir? Quem fica com os livros? Com os cd's? Quem fica? Quem vai embora? Como pagar as contas?
Quem vai fechar as janelas? Limpar o pátio? Cuidar da flores?
Quando acaba o amor? Não há um momento único. É uma porção de pequenas coisas. Coisas insignificantes que vão se acumulando. Lentamente, preparando o terreno do fim.
São pequenos ou longos silêncios; um monte de "não sei", de "será?", de "talvez"...
Não reconheço mais o outro; o gesto fica difícil, a palavra dura e o beijo mal dado...
Vai dando um cansaço!
Silêncios e insignificâncias vão cansando. Nesse momento alguém sai da cena. Passa da acomodação a perplexidade. Da perplexidade a busca de um novo caminho.
E nesse momento a gente se depara com a encruzilhada. "Não sei o que escolher, não sei o que gosto, o que quero...alguém escolhia por mim."
"Vi algo que não sei como viver".
Não tenho parâmetros para seguir em frente. É preciso reconstruir. Se reconstruir.
Olha para o teto em busca de um caminho nas rachaduras da parede. Vou prá lá ou prá cá.
Instala-se um novo silêncio.
Escrito por Sonia às 19h26
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Case com seu melhor amigo!
24) Case com seu melhor amigo!
Você deve estar estranhando minha afirmação.
Talvez não esteja nem concordando. Ou pensando...ela está louca porque amigo é uma coisa e amor é outra.....
Mas vou te dizer: Case com seu melhor amigo!
É com o amigo que gostamos de conversar, de sair , de jogar, de ficar em silêncio.
É o amigo que acolhe a gente quando estamos com problemas, quando estamos tristes, quando precisamos de colo...
Somente o amigo entende nossa vontade louca de fazer algo diferente ou de assistir um filme bobão e rir dos códigos que inventamos.
..por que não escolhemos o melhor amigo prá casar?
Por que na hora da escolha buscamos alguém tão diferente do que somos?
Vou te dizer....estamos equivocados....devemos olhar para os amigos e escolher ali...naquele grupo...a pessoa que a gente vai amar...não no grupo de fora...com a velha idéia de unir os dois grupos...nãoooooooooo!
Não perca tempo com isso....olha para o próprio grupo...está ali a pessoa que vai te aceitar incondicionalmente...está ali a pessoa que tem os mesmos códigos e que não vai precisar de tradutor.
está ali alguém que o grupo já gosta...não vai precisar ser aceito.
Por isso não tenho dúvidas.....olhe ao redor...está ali.
Olhe e veja o seu melhor amigo.
Escrito por Sonia às 10h05
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Casamento é conversa
(Gustav Klimt)
19) "Casamento é conversa"
Com essa frase Nietzsche definiu o casamento. O que parece mais trivial e o mais difícil de encontrar...alguém que a gente goste de ficar conversando. E conversar implica em falar, e não só falar, mas sobretudo em saber ouvir. Ouvir o outro. Ouvir as palavras emitidas e não emitidas. Ouvir o silêncio do outro.
Quem busca alguém parceiro, prá todas as atividades, e acha que a pessoa é legal porque vai te acompanhar em tudo o que tu faz...esquece que a maior parte do tempo estamos sós e sem atividades. Tenho que gostar da companhia do outro. Tenho que gostar de dividir o momento com o outro. Tenho que ter certeza que o outro vai saber respeitar meu tempo. Tenho que aprender a esperar o tempo do outro.
"Casamento é conversa" porque não há nada mais importante do que saber comunicar. Comunicar que estamos bem, que estamos tristes, que estamos nos sentido assim ou assado. Isso é o maior aprendizado que fizemos em um namoro...como comunicar ao outro que quero...e como comunicar ao outro quando não quero mais.
Nietzsche parece que não teve ninguém....amou Lou Salomé...amou? comunicou? conversou?
Beleza acaba...e quando acaba o que sobra? Conversar....mas nunca conversei antes...e agora?
Quem encontrar alguém que goste de compartilhar uma boa conversa...não deixe escapar.
Escrito por Sonia às 16h26
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(kandinsky)
17) A melhor coisa a dar a um filho... (p/ C.)
A melhor coisa a dar a um filho é o exemplo de que é possível viver bem...A gente ensina a ser feliz e a gente ensina a ser triste. A gente ensina e da de presente um modelo de relação com a vida...
Quando ouço alguém me dizer que não vai se separar porque os filhos são pequenos e que estão esperando os filhos crescerem...lembro que durante esse crescimento estamos ensinando aos filhos de que a vida melhor, a vida mais alegre e feliz, pode e deve esperar....como se a vida estivesse guardadinha dentro de uma caixa prá quando o filho estiver bem grandinho...daí a gente abre a caixa e vai ser feliz....
Sinto muito, impossível.....
A vida alegre e feliz não vai estar mais lá dentro...e se por acaso estiver...vai estar com depressão de tanto esperar.....
se estiver.....não vou saber usar ou vou levar muito tempo aprendendo a usar...
dai já vai ser tarde.
E além de não estar....os filhos terão aprendido o quê?
que a vida pode esperar...que a gente pode perder tempo e deixar tudo prá amanhã...não tem amanhã.
filhos aprendem pelo exemplo e não pelo discurso. Se quero meu filho de bem com a vida então eu tenho que estar de bem com a vida.
Veja esse desenho de Picasso....observa quantas linhas ele usa prá desenhar...olha a simplicidade do desenho e a eficiência do resultado... O segredo é esse....simplicidade...
Escrito por Sonia às 14h37
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12) O tempo do abacate!
(esse quadro chama-se Saudade, é Almeida Júnior. É 1899 e mede 197x 101 cm. Está na Pinacoteca de São Paulo)
O tempo do abacate e todas as dores do mundo.
p/ a Marta e para o Lucas
Muitos rompimentos já vivenciei.
Vi tantos que posso me atrever a dizer que cada um é de um jeito.
Romperam comigo tantas vezes que não posso nem contar nos dedos, precisaria dos dedos dos que romperam comigo.
Rompi também. Menos do que romperam. Mas rompi.
E cada vez parecia a primeira. Acho que é o típico caso de que experiência não ajuda em nada.
Na hora H só quero "morrer". Nem lembro da tal experiência.
A única coisa que a experiência me ajuda nesses momentos é lembrar, no meio do tsunami, que "tudo passa".
Aí choro mais. Por quem disse que eu quero que passe?
Passar é acabar. Quem disse que EU quero que acabe?
Levar um fora dói tanto.
A dor é proporcional aos buracos das dores anteriores...No rompimento vivemos todos os rompimentos que sofremos quando criança.
Quanto mais tivemos dificuldades em conviver com a frustração maior será a dor seguinte.
Ela não vem sozinha. Vem sempre acompanhada das dores do passado.
Assim, que vivo todas as dores do mundo de uma vez só.
O negócio esperar. E quando achar que já deu...espera mais um pouco.
Viver o rompimento inteiramente. Tem tempo prá tudo.
Quando eu era criança minha mãe guardava o abacate, coberto por um jornal, dentro de uma lata, dentro de um armário...o lugar tinha que ser bem escuro... E de tempos em tempos, eu abria tudo prá espiar o abacate. já estava maduro?..não estava...tinha que esperar...não adiantava a torcida pelo amadurecimento. Tinha que esperar o tempo do abacate.
Escrito por Sonia às 17h46
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7) SEXO
A minha escola não tem. E a sua tem?
A minha escola não tem educação sexual. É uma escola com cerca de 3 mil alunos entre 15 e 20 anos. Mas não se discute sexo, sexualidade, prevenção a DSTs....
Umas das últimas pesquisas que li (dez/2006) encontrei informações apavorantes. Li que há "30 mil novos casos de Aids no Brasil registrados por ano" . Está escrito REGISTRADOS.
Daí a gente lê e pensa: "só?"
"isso nunca vai me atingir".
Continuamos a ler e encontramos que 49,4% das pessoas contaminadas, no Brasil, tem entre 13 e 34 anos.
E agora, José?
continuaremos a ignorar esses dados????
A pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos de Prevenção da Aids do Instituto de Psicologia da USP anuncia outra coisa alarmante. diz que entre os "jovens de 15 a 24 anos são os que menos identificam corretamente as formas de transmissão do HIV".
Mas então isso tem a ver com a escola...como que os jovens não identificam as formas de transmissão? não tem acesso a informação? não discutem o tema? ou acham que isso não os atinge? ou não há oportunidade de discutir isso em grupos organizados?
MULHERES JOVENS tem muito mais prá vocês: sabem o que a pesquisa anuciou???? As "jovens mulheres são as que menos (menos) se sentem à vontade de EXIGIR o uso de preservativos".
Alguma coisa precisamos fazer. Porque com o constrangimento, com o medo de perder o namorado, com a falta de informação e de discussão as mulheres estão ficando DOENTES.
O que fazer??? Como fazer???
A sua escola faz essa discussão? A minha não!
Você sabia que cerca de 60% das escolas do país tem ações de prevenção?
A minha escola não tem. A sua tem?
Você sabia que o Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Educação disponibilizam preservativos para os alunos, a partir de 14 anos ,em cerca de 10 % das escolas do país?
Na minha escola não chegam esses preservativos assim como não tem educação sexual?
E na sua escola?
Escrito por Sonia às 16h07
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4) Ninguém vive só...com o seu amor.
Gostamos e respeitamos os amigos do outro.
Tem que coisa mais chata do que aquele casal de namorados que se isola dos amigos?
Criam um mundinho tão pequeno e fechado que ninguém mais entra.
Festa? “Só se ele for junto.”
Cinema? Só se ela for junto.
Futebol? Nunca mais....ela não gosta. (esse tema do futebol vale uma conversa em separado...em breve)
Inventam um mundo impossível de se sustentar. Prometem viver um para o outro pelo resto de suas vidas. Chegam a dizer "minha vida só tem sentido se tu estiver ao meu lado".
Doce ilusão.
Triste ilusão.
Os dois não se dão contam, no ápice da paixão, que isso é mortal prá qualquer relacionamento. Que isso não aguenta mais do que os possíveis dois anos de uma paixão ( e olha que nem sempre dura dois anos...e dificilmente supera dois).
E quando passa esse período e continuam juntos......aí a coisa pega!
Porque sem a cegueira da paixão como justificar para o outro que sinto desejo de estar com meus amigos...de passar a tarde dizendo bobagem com as gurias, de não fazer nada na praia em companhia dos amigos de infância...coisas que não cabem o outro ou que queremos fazer sozinhos.
Ousar dizer que quer sair sozinho....................será maior que o Tsunami que devastou o mundo.
A ilusão do "agora somos um único ser" acabou...
como recombinar??????
Escrito por Sonia às 14h35
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3) Conheço esse conflito
Antes de escolher a minha profissão passei por esses conflitos. Mas sinto informar que eles não acabaram nunca. Nunquinha....
E sinto informar, mais uma vez, que eles não acabarão.
Decidi minha profissão mas anos depois decidi fazer outro caminho. Voltei prá Universidade ( na verdade nunca sai). Estudei, me formei e comecei a atuar em nova profissão. Anos depois...tudo de novo...
Por que tantos caminhos?
Porque o universo do que fazia e faço exige que eu percorra esses caminhos. E, também, porque minha sede de conhecer parece ser infinita.
Tantos caminhos. Tantas escolhas.
Com 17 anos pensava que feita a escolha nunca mais me preocuparia com isso. Achava que era prá sempre. Mas quem pensa, quem tem vontade de aprender, quem gosta de desafios, quem vive.................... não se contenta facilmente.
É eterna essa busca pelo conhecimento.
Minhas profissões ( professora de História, Psicopedagoga, Terapeuta de Família) são faces da mesma coisa. São olhares diferentes sobre um objeto.
O caminho fica um pouco mais tranquilo se a gente não brigar com nossos conflitos. Acolher um conflito é saber que somos seres conflitantes. Que isso é a nossa natureza. Que impedir é alimentar um tsunami de tristezas e frustrações.
Escrito por Sonia às 22h06
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